História do ECM

JUQUERY FUTEBOL CLUBE
A
ESPORTE CLUBE MAIRIPORÃ

(Período : 1922 – 1971)

HISTÓRICO DO CLUBE MAIS TRADICIONAL DA CIDADE DE MAIRIPORÃ.

Pesquisa realizada nos livros de atas com depoimentos e assinaturas da época. Autoria : Ademir Thomaz Pereira (Presidente da Diretoria de 1990 a 1994 e de 2000 a 2004.


(VILA JUQUERY)

JUQUERY FUTEBOL CLUBE

Time de futebol : fundação do JUQUERY FUTEBOL CLUBE

Abrindo alguns armários na secretaria do clube, deparei-me com pilhas de livros antigos com manuscritos e caligrafias onde estavam narradas inúmeras histórias desta agremiação, surgindo daí a idéia do porque não divulgar essas narrativas, algumas passagens interessantes, pitorescas ou mesmo curiosas vividas por muitos de nossos antepassados junto ao clube mais tradicional da cidade. Leia, faça que seus pensamentos viagem através do tempo, e tentem viver com esses personagens o cotidiano da época. Os livros de ata da diretoria do JFC – ECM, estão à disposição dos familiares, da população e de pesquisadores que se interessarem pela matéria.

06 de janeiro de 1922

Alfredinho, Zé Vicente, Nitinho, P. Bueno, Zico Rormes, Dico
Zico Lopes, Romeu, Aparício, Nino, Afonso
Reservas : Avelino Oliveira – Paulo – João Laureno

Assim entrava em campo para sua primeira partida de futebol no dia 06 de Janeiro de 1922, o time da fundação do JUQUERY FUTEBOL CLUBE, conforme transcreveu e assinou o primeiro livro de ata da agremiação Antonio Cardoso César que ocupou o cargo de Secretário da Diretoria até final do ano de 1930.

09 de Setembro de 1923
A DIRETORIA do JUQUERY FUTEBOL CLUBE legalmente constituída na ata do clube e relatada pelo Secretário o Sr. Antonio Cardoso César, foi eleita às 19:00 horas do dia 09 de Setembro de 1923 na sede social que se localizava na Rua Coronel Fagundes, que ficou assim formada :

Presidente : ANTONIO OLIVEIRA NASCIMENTO
Vice-Presidente : ORLANDO FAGUNDES
1º Secretário : DIÓGENES DE ALBUQUERQUE
2º Secretário : AVELINO OLIVEIRA NASCIMENTO
1º Tesoureiro : FELÍCIO PASSARELLA
2º Tesoureiro : JOÃO ARANTES FAGUNDES
1º Diretor Esportivo : ANTONIO CARDOSO CÉSAR
2º Diretor Esportivo : AVELINO PEREIRA DA SILVA
1º Procurador : PEDRO CÉSAR DO LAGO
2º Procurador : BENTO OLIVEIRA NASCIMENTO
Comissão Fiscal : APARÍCIO FAGUNDES
HILÁRIO PEREIRA DA SILVA
FRANCISCO GALRÃO DE FRANÇA.

Essa nova diretoria assumia a agremiação com uma dívida passiva de “2.360$000 (dois contos, trezentos e sessenta mil réis)” e nesta mesma reunião da ASSEMBLÉIA GERAL presidida pelo Sr. Felício Affonso Passarella foi aclamado Presidente Honorário do Juquery F. C. o Sr. “Coronel Sezefredo Fagundes” . Essa nova Diretoria nos próximos dias firmaria a favor do Sr. Brandino Antonio dos Santos um título de 2:000$000 (dois mil contos de réis), para amortizar parte da dívida existente. Assinaram também a ata de posse, além dos membros da Diretoria os seguintes associados presentes à reunião : Olegário Rodrigues de Almeida, João Felix Pereira, Pedro Cardoso da Silva, Pedro Carlos de Almeida, João Lopes, Candido Galrão de França, João Pires, Victorio do Prado, Francisco Galrão de França, Octaviano Pinto da Silva, além de outros cujas assinaturas não os identificavam.

Ainda neste mesmo mês de setembro de 1923, os “atletas” abaixo relacionados assinavam um termo de compromisso de compromisso com a diretoria do JFC, onde se comprometiam e se sujeitavam : a) treinar obrigatoriamente aos domingos e outros dias designados pelo director esportivo, comparecendo em campo na hora marcada com a necessária antecedência, salvo motivo de força maior, à juízo do director esportivo ; b) comunicar a este, antes do meio-dia quando não possam, por justo motivo, comparecer ao treino do dia; c) à multa de 5$000 (cinco mil réis) quando deixassem de comparecer sem communicação e a de 2$000 (dois mil réis), quando comparecessem depois da hora marcada. Assinavam o referido compromisso os seguintes atletas : Antonio Cardoso César, Diógenes Rolim Albuquerque, Pedro Carlos de Almeida, Olegário R. Almeida, João Lopes, Floriano Fagundes, Severino Pereira da Silva, João Ignácio Silva, Pedro Cardoso da Silva, João Felix Pereira, Pedro César do Lago, Pedro Bueno do Prado, Leonor de Oliveira, Miguel Felix, Oscar Fagundes, Pedro Gonçalo Pereira, João Pires, Candido Galrão de França, Francisco Pimenta, Octaviano Pinto, Agostinho Amâncio da Silva, Victorio do Prado, João Pereira Prado e Amaro Pereira.

 

07 de outubro de 1923
A Diretoria do JFC em reunião presidida pelo Sr. Antonio Oliveira Nascimento, aprovava então os Estatutos Sociais elaborados pelo secretário o Sr. Antonio Cardoso César. Nesta mesma reunião por proposta também do secretário, foi autorizada pela directoriaa contratação de um maestro para a organização de uma banda de música que ficaria filiada ao Juquery Futebol Clube.

26 de dezembro de 1923
Reunidos nesta data “ os membros da Directoria sob a presidência do Sr. Antonio Oliveira Nascimento, para tratarem da providência a tomar-se a respeito do procedimento do zelador o Sr. (ilegível) , em vista das constantes reclamações dos sócios contra o mesmo. A directoria, depois de tomar conhecimento de todas as reclamações e tendo em vista a impossibilidade de tolerar-se mais das faltas do referido zelador, resolveu demiti-lo deste cargo e convidá-lo a dentro de 48 horas a retirar o seu botequim da séde, devendo o Sr. Secretário officiar-lhe neste sentido.

26 de janeiro de 1924
Nesta data os manuscritos feitos pelo secretário desta reunião o Sr. Diógenes R. Albuquerque, registravam a directoria analisando uma “ queixa apresentada pelo então director esportivo o Sr. Antonio Cardoso César, contra os sócios jogadores João Lopes, Affonso Brilha e Pedro Cardoso da Silva”. Esses jogadores teriam se envolvidos em um “ incidente havido no campo no dia 24 de janeiro” e a directoria após ouvir o queixoso e os jogadores presentes na reunião, resolveu que ficassem esses observados por se tratar da 1ª falta e os aconselhavam a que para o bem do clube, doravante se mantivessem dentro de inteira disciplina, obedecendo à autoridade constituída no exercício de suas funções. Assinavam a ata desta reunião : Antonio Oliveira Nascimento (Presidente da Directoria), Orlando Fagundes (Vice-Presidente), Avelino de Oliveira (Secretário), Antonio Cardoso César (Director Esportivo), Severino Pereira da Silva, Felício Albuquerque Passarella, João Arantes Fagundes, Pedro César do Lago, Bento Oliveira Nascimento, Hilário Pereira da Silva, Francisco Galrão de França e os jogadores envolvidos Affonso Brilha, João Lopes e Pedro Cardoso da Silva.

07 de abril de 1929
Registro de um jogo amistoso contra o Rosário F. C., quando o JFC perdeu o 2º quadro por 2 a 0 e saindo victorioso no 1º quadro pela contagem de 1 a 0. Os quadros estavam assim constituídos :

1º Quadro

Joãozinho, Pedrinho, Miguel, Bueno, Candinho, Octaviano


Leonor, J. Brilha, Victorio, Gumercindo, Juvenal

2º Quadro
Arlindo, Caetano, Amâncio, Armando, Mário
Vidal, Antoninho, Thomaz, Ozilde, Kaino e Ernesto

01 de dezembro de 1930
Assume a nova diretoria do JFC e se comprometem nesta reunião a pagarem a título de aluguel da sede social da Rua Coronel Fagundes o valor de 80$000 (oitenta mil réis) aos antigos directores do clube incluindo-se aí também o pagamento da luz. Essa Directoria estava assim constituída :

Presidente : PEDRO PEREIRA CARDOSO
1º Secretário : FRANCISCO BRILHA
2º Secretário : OLEGÁRIO R. ALMEIDA
Tesoureiro : LEONOR DE OLIVEIRA
1º Diretor Esportivo : OZILDE PASSARELLA
2º Diretor Esportivo : CANDIDO GALRÃO DE FRANÇA
Capitão do 1º Quadro : CANDIDO GALRÃO DE FRANÇA
1º Procurador : OZILDE PASSARELLA
2º Procurador : JOÃO PEREIRA PRADO
Fiscal : JOÃO PEREIRA PRADO

21 de dezembro de 1930
É divulgada pelo director esportivo a lista dos sócios jogadores do JFC para o período de um ano, assim relacionados: Odorico Pereira da Silva, Felipe Salomão Chamma, Raphael Tuffic Júnior, Roge Salomão, Pedro Galrão do Nascimento, Gumercindo Pereira da Silva, Candido Galrão de França, João Pereira Prado, Pedro Pereira Cardoso, Deodato Felippini, Leonor de Oliveira, Thomaz Pereira e Silva, João Villázio Corrêa, Octaviano Pinto da Silva, Severino Correa da Silva, Angelino da Silva, João Thomaz Sobrinho, Antonio Carlos de Almeida, Ernesto Brilha, José Thomaz Pereira, Horácio Oliveira do Nascimento, Miguel Felix do Prado, Pedro Bueno, João Climaco Toledo Netto, José Carlos Machado, José Antonio Brilha, Maximino Brilha e José Pereira Faro.

30 de abril de 1932
Em Assembléia Geral Extraordinária, presidida pelo Sr. Antonio Oliveira Nascimento e tendo o Sr. Francisco Brilha como secretário foi dado posse à nova diretoria eleita na eleição de 17 de abril de 1932. Segundo relato do secretário que elaborou e assinou esta ata, “ o Sr. Nicolau Pinto da Silva pediu a palavra e em brilhante oração de improviso, felicitou os empossados” . Essa Diretoria estava assim constituída :
Presidente : ANTONIO CARDOSO CÉSAR
Vice-Presidente: BENTO OLIVEIRA NASCIMENTO
1º Secretário : IRACI ROLIM
2º Secretário : RAFAEL BRILHA
1º Tesoureiro : LEONOR DE OLIVEIRA
2º Tesoureiro : SEVERINO PEREIRA DA SILVA
1º Diretor Esportivo : CANDIDO GALRÃO DE FRANÇA
2º Diretor Esportivo : PEDRO PEREIRA CARDOSO
Capitão do 1º Quadro : CANDIDO GALRÃO DE FRANÇA
1º Procurador : JOÃO PEREIRA PRADO
2º Procurador : ANTONIO CARLOS DE ALMEIDA
Comissão Fiscal : JOÃO CORRÊA – JOÃO FILIPPINI
PEDRO OLIVEIRA – HORÁCIO OLIVEIRA- AVELINO OLIVEIRA

10 de Setembro de 1932 (Causa Constitucionalista)
O secretário da Directoria Sr. Iraci Rolim transcrevia assim, a ata da reunião extraordinária realizada na sede do JFC, situada na Rua João Pessoa (?) atual Coronel Fagundes : “ aberta a sessão pelo Presidente Sr. Antonio Cardoso César, tendo este proposto que fossem oferecidos a Causa Constitucionalistatodos os troféus deste club. Sendo por todos aprovados, declarou ainda o Presidente que os mesmos objetos fossem entregues ao Sr. Felício Afonso Passarella, membro do M.M.D.C. desta cidade.” Assinavam a seguir todos os membros presentes da diretoria do JFC.

08 de Setembro de 1935 ( JFC é revivido )
Segundo relatado em ata pelo então secretário Pedro Galrão do Nascimento, o JFC esteve desativado de qualquer atividades sociais e esportivas durante algum tempo (não se referindo quanto ?), neste período surgiram os clubes “União Juqueriense FC e Esporte Clube Juqueri” . Nesta data foi realizada na residência do Sr. Bento Oliveira Nascimento uma reunião com o objetivo de fazer reviver novamente “com o mesmo antigo esplendor o JUQUERY FUTEBOL CLUBE, antiga sociedade esportiva que em seu seio congregou-se por muito tempo o escol da sociedade Juqueriense”, segundo as palavras escritas pelo secretário. Depois de expostos os motivos daquela reunião pelo Sr. Lamartine Albuquerque Passarella, passou-se a elaborar uma diretoria provisória, que por proposta do Sr. Capitão Antonio Joaquim Nascimento, ficou assim constituída com a aclamação dos presentes :
Presidente : BENEDITO FAGUNDES MARQUES
Vice-Presidente : RAPHAEL BRILHA
Secretário Geral : JOÃO NASSIF
1º Secretário : PEDRO GALRÃO DO NASCIMENTO
2º Secretário : IRACY ROLIM
1º Tesoureiro : PEDRO OLIVEIRA DO NASCIMENTO
2º Tesoureiro : ÁLVARO GALRÃO DE FRANÇA
3º Tesoureiro : CANDIDO AUGUSTO DE ALMEIDA
Procuradores : EUGÊNIO ALMEIDA CARDOSO
SEVERINO PEREIRA DA SILVA
Conselho Fiscal : ANTONIO CARDOSO CESAR
Capitão ANTONIO J. NASCIMENTO
PEDRO PEREIRA CARDOSO
Dir. Esportivos : CANDIDO GALRÃO DE FRANÇA
ODORICO PEREIRA DA SILVA
ERNESTO BRILHA

13 de Setembro de 1935
Nesta ata o secretário Pedro Galrão do Nascimento, narra como foi reorganizado o JFC tendo sido aprovado a cobrança de “jóias” na proporção de 5$000 e 10$000 mil réis aos que desejassem fazer parte do quadro social e a mensalidade de 5$000 para os sócios comuns e 2$000 para os sócios jogadores. Quanto as cores da sociedade por decisão unânime, foi designado as cores tradicionais “laranja e branca” com as quais deveriam ser confeccionadas as camisas e a bandeira do clube. Ainda nesta reunião ficou deliberado que tendo em vista a dissolução das sociedades “União Juqueriense FC e E. C. Juqueri” e possuindo as mesmas patrimônio e dividas contratadas, que os Srs. Rafael Brilha e Capitão Nascimento, como antigos diretores das referidas sociedades , apresentassem uma relação do patrimônio e respectivas dividas, já que seriam absorvidas pelo renascido “JUQUERY FUTEBOL CLUBE”, ficando assim determinado nesta reunião.

21 de Setembro de 1935
Conforme combinado na reunião anterior, o Cap. Nascimento que ficou encarregado de encomendar a confecção das camisas, pedindo a palavra nesta reunião comunicava que as camisas foram confeccionadas nas cores “azul e vermelho” em virtude de não existirem as cores antigas“laranja e branca” . A seguir foi determinado o dia 29 do corrente para a posse da diretoria provisória que deveria ser “revestida de toda pompa constando principalmente de um baile para as famílias desta localidade”, além da marcação de um jogo para a estréia das camisas quando deveriam convidar o Tucuruvi FC ou Estação de Juquery FC (Franco da Rocha).

1º de Fevereiro de 1936
Nesta reunião como registro curioso foi feita uma queixa do Cap. Nascimento aos demais companheiros de diretoria sobre o “facto de pessoas estranhas à sociedade estarem gozando dos mesmos direitos dos sócios e também dos estragos feitos no campo (estádio esportivo do Juquery FC) pelos animais, pedindo aos diretores para darem uma resolução ao assumpto.” Os Srs. Bento Oliveira e Iracy Rolim, prontificaram-se a cercar o campo sem qualquer ônus para a sociedade. Outro assunto foi com referencia aos bailes, tendo sido resolvido que “não seria permitida a entrada nem mesmo dos sócios se não estiverem de gravatas”. Para o carnaval ficou ainda resolvido aceitar pessoas estranhas ao quadro social, mediante o pagamento de 5$000 (cinco mil réis) por pessoa. Encerrando a ata desta reunião o secretário Pedro G. Nascimento, registrava que a diretoria estaria oficializando a todas as sociedades existentes no Município para tomarem parte no grande desfile de carros marcado para Domingo de carnaval dia 23 do mesmo mês.

24 de Novembro de 1936
Aqui está registrado que ainda com referência a reorganização do JFC, uma proposta do Sr. Guido Pisaneschi em comprar as traves dos gols pertencente ao clube e que estava localizada no campo do antigo União Juqueriense FC, ficando resolvido que o negócio poderia ser feito na base de 40$000 (quarenta mil réis), dinheiro este que deveria ser aplicado na reforma do “coreto por ser muito antiquado, altura elevada e de mau acabamento, não oferecendo conforto algum aos músicos.” Outro assunto abordado foi com referência ao aluguel do prédio em que funcionava a sociedade, já que uma carta dirigida a diretoria, dez associados se responsabilizavam pelo pagamento mensal do aluguel do prédio, oferta esta prontamente aceita. Os associados mencionados na ata eram : Benedito Fagundes Marques, Felício Affonso Passarella, Antonio Cardoso César, Pedro Pereira Cardoso, Dr. Lamartine Albuquerque Passarella, Bento Oliveira Nascimento, Raphael Brilha, João Pereira Prado, Reijiro Shimura e Francisco Brilha.

27 de março de 1937
Com a presença do Prefeito Municipal o Sr. Benedito Fagundes Marques, o agora secretário do JFC Sr. Francisco Brilha registra a cerimônia de inauguração do novo fardamento dos músicos da Banda Musical, fazendo o Prefeito um pequeno relato do que representava a música em todas as atividades e festividades sociais. Foi em seguida executados alguns números musicais. Assinaram esta ata além do Prefeito e a diretoria do JFC, os seguintes músicos : João Paulino Santes, Jesus Lopes, João Augusto de Almeida, Candido Augusto de Almeida, Eugênio Cardoso, José Alves da Silva, Alfredo Salomão Chamma, Alcides Almeida Cardoso, Ernesto Felix, Pedro Martins, José Benedido Brulos, José Patrício, Brandino Thomaz Pereira, Adelino Carlos, Roque Quirino Barbosa, Camillo Caetano de Camargo e Antonio Felix do Prado. Nesta mesma reunião por proposta do Prefeito Municipal, foi concedido o título de Sócio Honorário da Banda Musical ao Tenente-Coronel Octávio Azeredo, presente na cerimônia.

28 de Maio de 1938
No prédio de nº 2 da rua Cel. Fagundes sede social do JFC, reunida a diretoria sob a presidência do Sr. Avelino Oliveira Nascimento era aprovado o novo Estatuto Social todo ele transcrito nesta ata pelo secretário Pedro G. Nascimento composto de 57 artigos, além da relação de objetos pertencentes ao clube desde “dois lampeões Petromax até um porta-chapéu” . Como curiosidade neste Estatuto não existia o Conselho Deliberativo, que só viria a existir alguns anos depois através de decreto-lei do governo federal, e entre algumas imposições estava a “proibição de algazarras de crianças no salão de baile”, além de “não permitir o ingresso de crianças que não estivessem limpas, calçadas e acompanhadas dos pais ou tutores”. Assinavam a ata além do secretário e o presidente : Benedito Gonçalves, Reijiro Shimura, Francisco Pinto, Candido G. França, Amadeu Filippini, Gumercindo Pereira da Silva, Florêncio Pereira, Laudemiro Oliveira Nascimento, João Salomão, Irineu Thomaz Pereira, José Thomaz Pereira, Alfredo Chamma, Horácio Oliveira, Cecílio Salomão Chamma, Alcides Almeida Cardoso, Odorico Pereira, Bertholdo Adão do Prado, José Pereira da Silva, Affonso Brilha, Antenor Galrão da Silva, entre outros.

1º de Março de 1939
Aqui foi fechado acordo com o Sr Reijiro Shimura, para que a sede social mudasse do prédio nº 2 da Rua Cel. Fagundes, para o prédio de nº 4 da Avenida Antonio Oliveira de propriedade do Sr. Reijiro com a diretoria aceitando pagar o aluguel de 60$000 (sessenta mil réis) mensais pelo período de 3 anos. Assim por motivos óbvios o Sr. Reijiro Shimura que era o tesoureiro do clube, teve de se afastar do cargo “que tão brilhantemente vinha exercendo” passando-o ao Sr. Francisco Pinto, e assumindo a partir desta data como membro da direção esportiva.

1º de Março de 1942
Com a sede social de volta à Rua Cel. Fagundes, nº 2, assumia nesta data a nova diretoria agora sob a presidência do Sr. Antonio D´Agostino, tendo como demais companheiros : Pedro G. do Nascimento (secretário), Miguel Sarraf ( 1º tesoureiro), Alcebíades R. Fagundes (2º tesoureiro), Gumercindo Pereira da Silva (procurador), João Pereira Filho, Iracy Rolim e Francisco Brilha (Conselho Fiscal), Lamartine A. Passarella (orador oficial), membros da direção esportiva Candido G. França, Laudemiro Oliveira e Mário Cardoso da Silva. O nome do Sr. Antonio D´Agostino ao ser aclamado “ouviram-se no recinto palmas que secundaram aquela aclamação”.

19 de Abril de 1942 (Sessão Cívica pelo aniversário do Dr. Getúlio Vargas)
Com a presença das altas autoridades locais, sócios, elementos representativos da lavoura, indústria e comercio além do povo em geral na sede social do JFC, às 8:00 sob a presidência do Sr. Antonio D´Agostino, foi aberta a sessão cívica em homenagem ao aniversário do Presidente da República o Exmo. Dr. Getúlio Vargas. O orador do clube o Sr. Lamartine Passarella, após expressar algumas palavras, passou ao Sr. Péricles Rolim (orador de reconhecido valor) a palavra para que o mesmo desempenhasse esta tão alta missão, que em brilhante improviso, fez a apreciação elevada ao chefe da nação. Muito aplaudido no recinto, “ergueram-se entusiastas vivas ao Presidente, ao Brasil, a São Paulo e ao nosso Município”. A seguir foi executado o Hino Nacional pela Banda Musical, quando todos ouviram com o maior respeito. Terminando a cerimônia foi redigido um telegrama de congratulações ao ilustre aniversariante, que deveria ser subscrito pelos elementos representativos de todo o povo de Juquery. Assinaram esta ata 113 pessoas presentes, tendo como fato curioso a presença pela primeira vez, de assinaturas da ala feminina entre elas : Elvira Galrão de França, Ivone Aparecida Oliveira, Fernanda do Prado, Bentinha Massei, Nair Correa, Odette Galrão, Glória Galrão de França, Therezinha Brilha, Olga dos Santos, Dolores Brilha, Rosa Cardoso, Olívia Tondato, Amélia Pereira da Silva, Tarcília Maria da Conceição, Elmira Oliveira Chama, Josefina Cruz Pereira, Angelina Cruz Pereira, Carolina Bonfat e Margarida Riboli .

21 de Abril de 1942 ( Compra de um terreno para a sede social)
Os primeiros registros sobre a intenção da diretoria em adquirir um terreno para a construção da sede própria. O referido terreno localizado na esquina da Av. Antonio Oliveira com a Rua Projetada (hoje Av. Tabelião Passarella), foi oferecido ao JFC pelo Sr. Bento Oliveira Nascimento através de carta transcrita nesta ata, assinalando que o terreno de sua propriedade localizado no endereço acima, media 20m x 20m e que o preço à vista era de 2.200$000 (dois contos e duzentos mil réis). Assinalava ainda que a escritura pública seria lavrada, dentro de um tempo razoável, a critério da diretoria do JFC. Estudada atentamente a proposta, a diretoria resolveu autorizar o Presidente Antonio D´Agostino a proceder a compra do dito terreno, através da emissão pelo presidente do clube de 22 letras de 100$000 (cem mil réis). Procedeu-se uma coleta de nomes entre a diretoria para o empréstimo necessário, sendo imediatamente coberto pelos Srs. : Antonio D´Agostino (300$000), Lamartine Passarella (200$000), Antonio Cardoso César (200$000), Iracy Rolim (200$000), Pedro Galrão do Nascimento (200$000), Bento Oliveira Nascimento (200$000), João Pereira Prado (200$000), Pedro Pereira Cardoso (100$000), Francisco Brilha (100$000), Miguel Sarraf (100$000), João Pereira Filho (100$000), Candido Galrão de França (100$000) e Horário Oliveira (200$000). Foi marcada uma pequena festa para o lançamento da pedra fundamental da futura sede social, festa esta que consistirá de benção do local pelo Rvmo. Vigário da Paróquia, Padre Luiz Asseinamy.

19 de Maio de 1942 (Formada Comissão de Obras para a Sede Social)
A Comissão de Obras composta pelos Srs. Antonio D´Agostino, Francisco Brilha e Itacy Rolim com poderes para resolver todos os casos referentes a essa construção, comunicava nesta reunião que a obra já estava em andamento com os alicerces abertos e já com diversos materiais no local, além de expressar um agradecimento aos Srs. Cecílio Salomão Chamma, Reijiro Shimura e Pedro Galrão do Nascimento pela entrega de tijolos doados ao clube. Nesta reunião foi aprovado por todos presentes um ato de agradecimento a uma comissão composta pelas Sras. Nancy Freitas Rolim, Altamira Pereira Galrão, Tarcila D´Agostino, Conceição Rolim, Filomena Massei e as Srtas. Benta Massei e Maria de Lourdes Brilha César, que organizara um baile no dia 16 de maio último em pró da construção quando obtiveram um saldo líquido de 480$200 (quatrocentos mil e duzentos réis).

23 de Maio de 1942 ( Formado o 1º Conselho Deliberativo do JFC)
Com a finalidade de atender a Portaria Ministerial nº 254 de 01 de outubro de 1941, publicada no Diário Oficial em 20 de janeiro de 1942 onde constava a exigência da eleição de um Conselho Deliberativo, foi nesta reunião aprovada as alterações no Estatuto Social e já eleito o Conselho Deliberativo do JFC. Foi eleito por unanimidade para Presidente o Sr. Olavo Tabajara Silveira que nomeou os seguintes membros como segue : Francisco Galrão de França, Jorge Salomão Chamma, Leonor de Oliveira, Pedro Oliveira Nascimento, Virgílio Antonio Mathias, João Pereira Prado, Álvaro Galrão de França, Pedro Pereira Cardoso, João Melchiori, Dr. Péricles Rolim, Florêncio Pereira, Bento Oliveira Nascimento, Alcides Almeida Cardoso, Victorio do Prado, Dr. Benedito Orlando Martins, Benedito Gonçalo Silva, Odorico Pereira da Silva, Laudemiro de Oliveira, Olegário Rodrigues Almeida, João Pereira dos Santos, Horácio Oliveira, Cesário Alves Pinto, Augusto Coimbra e Giácomo Rogério. Este Conselho estaria nos próximos dias elegendo os Srs. João Pereira Filho e Antonio D´Agostino para Presidente e Vice-Presidente do JFC.

20 de Fevereiro de 1945 (Tentativa de se mudar o nome do Juquery FC)
Com redação do Sr. Nicolau João Chamma nomeado secretário e tendo como Presidente o Sr. Antonio D´Agostino foi realizada uma Assembléia Geral, na qual o assunto principal seria a mudança de nome do clube. O presidente abrindo a reunião fez aos presentes uma exposição de motivos apresentando como principal razão que o nome atual do clube não condizia com o seu valor e engrandecimento, mesmo porque em outros centros, esse nome era citado por engano com outro clube do município vizinho de Franco da Rocha. Com pesquisa preliminares já feitas junto a maioria dos associados foi apresentado aos presentes uma lista de 10 nomes : Bandeirantes FC, CA Montanhês, Serrano EC, Esperança FC, Imperial AC, CA Paulistano, Internacional AC, CA Independente, Serrania AC e CA Juventude. Após 30 minutos para os associados se manifestarem em voto secreto e na hora da apuração dos mesmos, o Sr. Francisco Brilha, Álvaro Galrão de França e Nicolau João Chamma anunciaram que as eleições deveriam ser anuladas por terem votado elementos que não eram sócios, menores de 21 anos e que não foi livre havendo “cabala” contrariando o Estatuto. Assim a eleição foi anulada e transferida para “sinedie”.

15 de janeiro de 1949 ( De Juquery FC para Esporte Clube Mairiporã)
O Conselho Deliberativo do Juquery FC em reunião presidida pelo Sr. Leonor de Oliveira tendo o Sr. Francisco Brilha como secretário, foi eleito o novo Presidente da diretoria para o triênio 1949-1952 o Sr. Francisco Feliciano Ferreira da Silva Filho tendo como o seu Vice o Sr. Tadafumi Harada e para o Conselho Fiscal os Srs. Bertholdo Adão do Prado, Laudemiro Oliveira Nascimento e Antonio das Neves. Procedeu-se então a escolha do novo nome para a entidade que por maioria de votos foi vencedor o nome : ESPORTE CLUBE MAIRIPORÃ, acompanhando o mesmo nome da cidade adotado no dia 1º de janeiro de 1949. Assinaram a ata além dos acima citados os Srs. Hipólito Ferrari, Virgílio Tamberlini, Francisco Pinto, Eugênio Almeida Cardoso, Maçao Kazuyoshi, Benedito Galrão de França, Antenor Pereira, João Pereira Filho, Alberto Khairalla e Eurípedes de Oliveira.

26 de Fevereiro de 1950 ( Assume a Presidência o Sr. Irineu Corte)
Após análise do pedido de renúncia dos Srs. Francisco Feliciano (Presidente) e Tadafumi Harada (Vice), o Conselho Deliberativo por indicação do Sr. Enoch de Góes Cavalcanti aprovou o nome dos Srs. Irineu Corte e João Branco Ferreira para ocupar os cargos Presidente e Vice-Presidente da diretoria. Tomaram posse no dia 04 de março seguinte, quando vieram a completar os demais cargos da Diretoria os Srs. Carlos Alberto Zamberlan e João Caetano Sobrinho (1º e 2º secretários), Pedro G. Nascimento e João Pereira Prado (1º e 2º tesoureiros), Álvaro Galrão de França (orador oficial), Candido G. de França, D´Artagnam Campos e Afonso Brilha (diretores esportivos), Antonio Nascimento (arquivista), Vitório Khairalla (bibliotecário), Armando Pereira da Silva (almoxarife), Alcides Gebin (procurador) e Jorge Judar (estatístico). O Sr. Irineu Corte ficaria na Presidência do ECM até janeiro de 1958.

30 de Setembro de 1954 ( Aprovado empréstimo para construção da Sede Social)
Na sede social do ECM agora na Rua Olavo Bilac s/nº, por solicitação do Sr. Irineu Corte presidente da diretoria, o Conselho Deliberativo aprova nesta data o empréstimo de R$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) com juros de 6% ao ano, junto ao Banco Popular do Brasil, para serem aplicados na continuação das obras da sede social, iniciados anos antes na gestão do Sr. Antonio D´Agostino em 1942. A mudança para a nova sede social, finalmente concluída, na Av. Tabelião Passarella 565 se daria no início de 1956. Sucedeu ao Sr. Irineu Corte na presidência da diretoria, em janeiro de 1958 o Sr. Jorge Abrão Judar. , que pediria demissão do cargo de presidente da diretoria em dezembro do mesmo ano, tendo em vista as dificuldades financeiras do clube na época.

14 de Dezembro de 1958 ( Candido G. França reassume um clube em dificuldades )
O Conselho Deliberativo, nesta data sob a presidência do Sr. João Pereira Filho, aceitava o pedido de demissão do Sr. Jorge Abrão Judar nomeando por unanimidade de seus membros o Sr. Candido Galrão de França como o novo Presidente do ECM. Nesta mesma reunião o novo presidente conseguiu junto aos membros do CD, um empréstimo para colocar as finanças em dia. Os sócios Jamil Chamma, Odari Galrão e Francisco Brandão se propuseram a angariar fundos para a compra de um aparelho de Alta Fidelidade, para uso nos bailes mensais na sede social visando igualmente ajudar no equilíbrio financeiro do clube. Ainda nesta reunião o conselheiro Dr. Humberto Romaro assumiu pessoalmente uma dívida do clube com diversos fornecedores no valor aproximado de R$ 13.000,00 (treze mil cruzeiros), afirmando que seria a sua contribuição para com a agremiação.

 

27 de Outubro de 1961 ( O goleiro Bero e o jogo no Pacaembu )
Em carta à diretoria o goleiro da equipe principal do ECM o Sr. Alberto Felfeli (Bero), queria admitir e assumir publicamente sua culpa no jogo pela final do campeonato amador, realizado em 15/10/61 no estádio do Pacaembu contra o São João FC de Atibaia, no qual o time sofrera uma derrota por 3 X 0 numa tarde bastante infeliz deste goleiro. A diretoria por unanimidade não aceitava tal, afirmação constando em ata que a atuação do Sr. Felfeli estava acima de qualquer suspeita. Por solicitação do Sr. Odari foi registrado em ata os dois memoráveis jogos contra o Olaria EC, sendo que no primeiro jogo no campo do Olaria EC (localizava-se logo abaixo do CCM) no dia 03/09/61 o resultado foi de 3 X 0 no aspirante (gols de José Garcia 2 e Paulinho 1) e no principal o empate de 1 X 1 (gol de Tuta). No jogo de volta no campo do ECM, dia 01/10/61 no aspirante houve um empate por 2 X 2 (gols de Paulinho 1 e Ninha 1 ), e no jogo principal a vitória do ECM por 1 X 0 com o gol sendo assinalado através de Iracino. Constava ainda a escalação dos times : Aspirante :- Carlos, Lúcio, Lamartine e Tim, Edgar e Quebrado, Zezinho, Armandinho, Ninha, Paulinho e Chiquinho; Principal :- Bero, Bento, Odari e Macário, Salim e Walter, Iracino, Ivan, Brandão, Dega e Tuta. (Comissão Técnica: Gasosa, Zeca e Ariosto). No tocante ao futebol o ECM viria a participar da 3ª Divisão de Profissionais da FPF nos anos de 1963 a 1967.

13 de Janeiro de 1971 ( Campo de futebol - desapropriação pela Comasp)
O CD sob a presidência do Sr. Ivan das Neves reunido nesta data, aceita o acordo amigável proposto pela Comasp para a desapropriação de grande parte do campo de futebol, cujo valor oferecido foi de R$ 417.296,00. Os advogados do ECM os Srs. Carlos Zamberlan e Rubens Cardoso César foram autorizados a resolver o assunto com a Comasp. A liberação dessa importância entretanto só seria concretizada no mês de setembro de 1971, já que a Comasp exigia a anuência da Prefeitura Municipal, através do Prefeito da época o Sr. Luis Salomão Chamma que apesar da Secretaria dos Negócios do Interior ter lhe confirmado que o ECM é quem tinha todo o direito sobre o terreno, o mesmo se recusava a dar tal anuência aos advogados do clube. Graças a interveniência do Dr. Ezar Zacarias André o assunto ficou assim resolvido. Esses valores foram aplicados posteriormente na contrução das piscinas, campo de bocha, ginásio de esportes, além da aquisição do terreno na Av. Tabelião Passarella onde hoje se encontra o campo de futebol. Há de se ressaltar nas décadas de 70 e 80 as administrações na presidência do ECM dos Sr. Arlindo Carpi, Nicolau Antonio Brilha, Antonio Jair Oliveira Nascimento, Armando Pavanelli, Pedro Luís Brilha Galrão e Osvaldo Pereira dos Santos durante as fases de construção das piscinas, ginásio de esportes e construção do novo campo de futebol.
Pudemos verificar nesta pesquisa, junto ao que ainda existe de documentação nos arquivos do ECM, quantas pessoas e famílias tradicionais desta comunidade se dedicaram pela sobrevivência e engrandecimento desse tradicional clube de nossa cidade. Muitas pessoas possivelmente tiveram colaboração decisiva na vida do ECM, talvez nem fizessem questão que seus nomes ficassem registrados nos livros de atas do clube, por isso não foram sequer citados nesta pesquisa, por nós realizada. Assim, ficam aqui agradecimentos e os votos da maior estima e admiração a todos aqui mencionados e àqueles cujo nomes foram omitidos ou que fizeram questão de ficar no anonimato.

Outras fotos :


( Zeca – 1935)